Research through DESIGN through research: a cybernetic model of designing design (Wolfgang Jonas)

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Wolfgang Jonas, (2007) “Research through DESIGN through research: A cybernetic model of designing design foundations”, Kybernetes, Vol. 36 Issue: 9/10, pp.1362-1380, https://doi.org/10.1108/03684920710827355  

Para o autor, foi o processo de fazer design (designing) que fez com que os primatas se tornassem humanos pela capacidade de explorar e criar algo novo cujo objetivo último seria melhorar a “qualidade de vida” (ou qualidade da vida).

Esse aumento na qualidade de vida se daria pelo atendimento das necessidades reais de um grupo ou pessoas. É importante ter em mente que a determinação dessas necessidades é feita a partir de um determinado ponto de vista, um viés que escolhe o que deve ou não ser considerado como necessidade.  Segundo o autor, ainda persiste em boa parte das pesquisas sobre design (Design research movement):

Modernist design claimed to meet people’s needs by means of nineteenth century scientific approaches. Solutions were conceived by simple mechanistic answers to seemingly “real” needs, which had been determined by means of statistical methods. Ideological bias guided the determination of these needs; enthusiastic misinterpretations of the potential of the sciences lead to expectations of boundless progress. A striking example is the use of simplified and misinterpreted concepts of purpose-oriented evolution, leading to ideological positions as the notorious “form follows function” which has been impressively analyzed by Michl (2002).  (p.1363)

A natureza da pesquisa em design (design research) é híbrida, ao mesmo tempo que procura por conhecimento, mira em melhorias para o mundo. Se por um lado, o design busca ser aceito como uma disciplina, um campo de saber e de produção do conhecimento, ele falha ao adotar critérios científicos que não dão conta de lidar com a complexidade sistêmica de situações do mundo real. O autor propõe a seguinte pergunta para lidar com esse hibridismo: 

How can design establish its own genuine research paradigm (independent from the sciences, the humanities and the arts) that is appropriate for dealing with purposeful change in ill-defined (therefore called “complex”) real-world situations?  (p.1364)

Essa discussão parece vir ao encontro de discussões mais amplas que debatem sobre outros modos de produção de conhecimento nas ciências, sinalizando que há uma certa tendência na ciência a adotar modos de produção de conhecimento mais próximos ao modo do design (“Science is increasingly involved in projects of socio-cultural and technological change, and this can be interpreted as “science approaching designerly ways of knowledge production” (Jonas and Meyer-Veden, 2004)”) (p.1364).

Para Rittel (1972), o processo de design faz parte dos problemas perversos (wicked problems) que só podem ser transpostos ao abrir (ou superar) o processo fechado e algorítmico de solução de problemas e iniciar um processo de argumentação e negociação entre as partes envolvidas. Esse deslocamento consiste na passagem da cibernética de 1ª ordem — observação de sistemas — para a cibernética de 2ª ordem — sistemas observando sistemas. A observação de 2ª ordem, por assim dizer, não toma os problemas a serem resolvidos como pré estabelecidos, mas é construído pelos envolvidos (stakeholders).

In consequence, problems are changing their character in the course of the solution process. No information is available, if there is no idea of a solution, because the questions arising depend on the kind of solution, which one has in mind. One cannot fully understand and formulate the problem, before it is solved. Thus, in the end, the solution is the problem. Therefore, Rittel argues for the further development and refinement of the argumentative model of the design process and the study of the logic of the designers’ reasoning, where logic means the rules of asking questions, generating information, and arriving at judgements. (p.1365)

Jones (1992) coloca que a necessidade é de desenhar o próprio processo de design (“designing the design process itself”) e que o designer deve tentar se compreender como um “sistema auto-organizável” que está observando a evolução de um artefato ao mesmo tempo que se vê observando essa evolução, o que revela uma característica do processo de design: a circularidade.

Para o autor, o conceito de fechamento autopoiético (autopoietic closure) é essencial para o argumento sobre o processo de design, podendo ser definido como aquilo que “caracteriza a lógica autorreferencial dos sistemas auto-(re)produtores”.  

Maturana (1985) argumenta que os sistemas vivos são organizacionalmente fechados, sem nenhum input ou output para controle da informação. Suas operações dizem respeito apenas a eles mesmos e seus estados internos e a impressão de que os sistemas vivos são abertos ao ambiente é o resultado das tentativas de observadores externos em produzir sentido das suas observações.

The aim of autopoietic systems is ultimately to maintain their own identity and organization. A system cannot enter into interactions that are not specified in the pattern of relations that define its organization. In this sense, the system’s environment is really a part of itself. The theory of autopoiesis thus admits that systems can be recognized as having “environments” but insists that relations with any environment are internally determined; systems can evolve only along with self-generated paths.  (p.1366)

 

Logo, de acordo com a teoria autopoiética entende os sistemas vivos como resultado de mudanças geradas internamente, o que é uma modificação do entendimento darwiniano da evolução, já que ela vai além da mera adaptação e seleção do ambiente, enfatizando a maneira como a interação do sistema molda seu futuro e evolução (coevolução dos sistemas autônomos).

(Deixei de lado as seções 5, 6 e 7 do artigo)

Na seção 8 há um trecho interessante sobre research through design:

The idea of research through design is based upon a generic structure of learning/designing, which has been derived from practice. Design process logic, according to the argument in this text, is a cybernetic logic of creating the objects of the world. Relevant design knowledge is not knowledge of the objects, but knowledge for the creation of the objects (Glanville, 2006). Every design process  (more or less) follows this generic structure, making use of the various (scientific) methods provided for each of the steps. The inherent fuzziness of the process model is able to bridge the causality gaps occurring between the different, often incompatible, scientific contributions. (p.1377)

Preciso entender melhor a questão do research through design que me parece até o momento ser o que mais tem a ver com minha pesquisa.

guivarquitetura

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